Minha participação na exposição Capas do Brasil
- Jun 6, 2019
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Updated: Oct 1, 2023
Libertar a expressão, um antídoto contra a barbárie Com o seu dedo em riste separando o “nós” do “eles”, o fascismo materializou e desenhou os traços de uma barbárie que, a todo instante, insiste em voltar, com novas vestimentas e chancelas. Como todas as tragédias, a barbárie não pode ser vista, tampouco analisada, como um fenômeno súbito. Ela é uma construção social que silenciosa ou explicitamente, velada ou em praça pública, ameaça e nos afasta de um projeto civilizatório e humanitário. A barbárie transita no tempo e no espaço. Ela foi uma das marcas da ditadura civil-militar no Brasil, amparada em discursos nacionalistas e ufanistas que, novamente, insistiam em separar o “nós” do “eles”, cerceando a liberdade de expressão do segundo, sob a chancela e a conivência do primeiro. Com sua expressão livre e o seu caráter utópico, a arte tem sido historicamente reconhecida como um “antídoto contra a barbárie”, tornando-se alvo de perseguição e cerceamento. Foi assim durante a ditadura civil-militar brasileira e tem sido assim nos últimos anos, meses e dias de uma democracia que se fragiliza com as constantes ameaças às liberdades de expressão e de pensamento. A exposição “Capas do Brasil”, no seu 2º ato, é uma tradução clara de como a arte se torna resiliente e resistente na luta contra a barbárie, ontem e hoje representada pelo autoritarismo, reducionismo, obscurantismo, a intolerância e a ignorância. Na sua essência, “Capas do Brasil” resgata essa expressão de Adorno e Horkheimer, publicada na Dialética do Esclarecimento: “Não se trata de conservar o passado, mas de recuperar as esperanças passadas”. “Capas do Brasil” não só recupera as esperanças passadas, como nos alerta da urgência das lutas do presente, guiadas pela necessidade humana e universal de liberdade. Cilene Victor






























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